“Quem não quer ver, não vê”

Eis a beleza da verdadeira arte de curar, a homeopatia. Inspirador para nós veterinários, aguça nossos olhares para nossos pacientes com a mais extrema percepção de suas dores e sofrimentos. Que possamos ler a linguagem que nos passam em seus gestos e olhares e enxerguemos um enfermo e não somente a doença. Revelador para proprietários, que cada vez mais aumentam o vínculo com seu animal de estimação e consequentemente buscam uma terapia que “enxergue” seu animalzinho como um todo, como um ser vivo que se relaciona e que necessita de uma cura, de um bem-estar maior.

Que com esse texto haja uma reflexão sobre o que queremos ver, e que nossas visões se ampliem atingindo o íntimo de nosso ser e de tudo que nos cerca.

Posto aqui um resumo traduzido do belo texto original em espanhol de Dr. Carlos E. Ferro ( médico- veterinário homeopata), publicado em 1983: ” Quien no quiere… ver, no ve.” Ou seja : Quem não quer ver, não vê.

” O informe de meu colega dizia: ” Tumor Vaginal Prolongado tamanho de uma maçã ulcerada, com tecido necrosado em decomposição e sangrante. Indico urgentemente cirurgia e antibióticos”.  Já estavam todos preparados para a cirurgia e tive medo de ferir meus colegas para pedir que me permitissem a tentativa de um tratamento homeopático, mas o caso era de vida ou morte, e foram tantos os mortos que vi em minha carreira de cirurgião veterinário que me encorajei de pedir-lhes o caso nem que fosse para melhorar sua condição energética, pois a paciente se encontrava tão caquética que poderia nem resistir a anestesia. Sendo assim, meus colegas me deram 48 horas para recuperar a paciente e então ser feita a operação. Dessa forma, Chirola passou a ser minha paciente.

Chirola era uma cadela mestiça de cor negra com manchas brancas, corpo mediano e delgado, jogado sobre sua pequena cama, com olhos grandes que se esforçavam para ficar abertos e um tumor vaginal pendurado e pútrido  que sangrava. Assim, olhei em seus olhos e num idioma que só nós conhecemos, perguntei-lhe: Por que ficou tão enferma? O que te causou tanto sofrimento na vida para ficar tão doente assim? Custa tanto assim viver?  por que pagar tão cara tua pequena vida?

Então, comecei a sentir que meus olhos se encheram de lástima por sua dor e comecei a ter respostas. Pois somente através do sentimento se pode ouvir o que se escuta e ver o que se vê. Ela também sentiu algo por mim e tentou demonstrar-me todo seu afeto com um abanar de cauda, e um pedido de carícia. Mas isso não era possível pois ela possuía uma espécie de casca protetora que lhe fez desviar os olhos e impediu a vivência do afeto. Respirava ofegante e olhava para porta como se quisesse partir ansiosamente. Iniciei então o interrogatório com seu proprietário, o qual pouco sabia sobre Chirola, pois pouco ou quase nenhum tempo passava com ela. E então percebi que o sofrimento de Chirola estava na necessidade de afeto que não era retribuída. Sua insuportável solidão diária esperando todo dia seu dono, havia deixado sua sequela física.

Prescrevi uma dose plus de Phosphorus 200 e pedi para retornar em 48 horas para combinar o horário da cirurgia.

O proprietário de Chirola não voltou e meus colegas a deram como morta e a nossa comum paciente agora era minha paciente.

Mas Chirola não estava morta, pelo contrário havia começado uma nova vida. O dono de Chirola retornou 3 dias depois relatando que o tumor havia diminuído, o animal voltou a comer, estava animada e ele não queria mais que operassem ela. 20 dias após a primeira dose da medicação o tumor estava dentro da vagina e do tamanho de uma lentilha. Um de meus colegas surpreendido relatou que se não fossem por suas manchas tão características pensaria que tivessem trocado a paciente. Hoje este médico se tornou também homeopata. Outro colega que examinou Chirola após esses 20 dias, o qual me inspirou nesse texto, constatou a diminuição do tumor mas insistia em dizer que o tumor ainda estava lá.

Hoje, Chirola fica em minha volta, faz festa, deixa ser tocada e acariciada, lambe minha face com sua língua alegre e agradecida e hoje sua vida lhe custa mais barata.

Quis trazer esse caso para VIII Congresso da Escola Médica Homeopática Argentina para mostrar que a medicina homeopática é a medicina do homem e é um patrimônio da natureza  e da vida. É a bendita Homeopatia que nos ensina e nos obriga a Ser. Porque:

Ser está na dor dos demais, quando nos necessitam. É estar em paz apesar da luta. É aceitar o que a vida nos nega e seguir adiante. É crer nos outros apesar dos enganos. É estar em todo o momento. É dar-se de coração.

Ser, precisamente ser, é deixar de existir por um momento, e parodoxalmente é o único instante em que é um.

A homeopatia convida a ser para que o homem não perca a única oportunidade da existência e da realização que são a verdadeira eternidade. “

4 thoughts on ““Quem não quer ver, não vê””

  1. Fiz recente cirurgia bocomaxilo, p/corrigir falhas ósseas causadas p/AR.Fiz preparo homeopático anterior e continuo c/a mesma medicação, sem qualquer complicação e ou uso de antobióticos fortes. Se faz bem para o Humano, só fará bem aos nossos amigos Animais!!

  2. O texto é emocionante, sou sua colega e estou cursando homeopatia como extensão e estou cada dia mais apaixonada por essa ciência deixada por S.Hahnemann e tenho visto resultados surpreendentes nos animais, vou completar o conhecimento com cursos de acupuntura e fitoterapia

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